domingo, 22 de junho de 2008

Reverso do espelho


Por esta estrada do tempo
Misturamos as horas no caminho.
Túnel de acesso aos sentimentos mais íntimos
Lugar mágico de lembranças em múltiplas formas.
Minha alma se comove com as imagens
Meus sentidos se expandem com o vento
Apaziguante sensação de unicidade.
Sede de vida em cor lilás:
Todas as pessoas nascem
Todas as pessoas morrem
Todas as pessoas são viajantes
Desta mesma estrada.
Fios de braços entrelaçados,
Formamos o todo.
As marcas permanecem através do tempo
E assistem a nossa passagem
Como um reverso do espelho.

Maria Lúcia de Almeida

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Nas tardes, sempre.


É nas tardes
Que me refaço
Em cores e sombras,
No canto dos pássaros.
É nas tardes
Que me refaço
Em vários perfumes,
Em lembranças e flores,
Numa doce mistura:
Presente e passado.

Maria Lúcia de Almeida

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Satélite


Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A Lua baça
Paira
Muito cosmograficamente
Satélite.
Desmetaforizada,
Desmitificada,
Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e dos enamorados.
Mas tão-somente
Satélite.
Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!
Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite.

Manoel Bandeira