quarta-feira, 8 de abril de 2009

Vida e Morte

No sabor das recordações
Vida e Morte
- em retrospectiva -
Fazem o jogo de tudo ou nada.
Companheiras de solidão
Procuram por seus fantasmas
Disputando na surdina
Os lances limítrofes da existência.
Como numa moeda
- verso e reverso -
São parceiras inseparáveis
Porém coladas que são,
Se uma põe, a outra dispõe.

Maria Lúcia de Almeida

terça-feira, 7 de abril de 2009

Vestígios


Desce o poente
Na tarde vazia
Vão prateado
Da noite sem cor.

Em nuvens pesadas
E na penumbra sombria
Fácil é sentir-se perdido e só.

Por uma vida tola em que se omite
Por sonhos sempre desfeitos
Por quem chora ou já chorou.

Tudo o que hoje é presente
Se transformará em lembrança
Em versos simples...
Nos vestígios de um poeta.

Maria Lucia de Almeida

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A carta que eu queria ter escrito...




Se um dia
Sentir-se muito cansaço,
Cansado de tudo
Cansado do nada
Abra a cortina do alvorecer
E deixe cair estrelas no gramado.

Namore a lua que surge mais tarde
Desvende caminhos no cheiro da noite
Recorde os tantos lugares visitados
Vislumbre os que ainda sonha conhecer.

Sinta no corpo a leveza do vento
O frescor das primeiras chuvas
E a gostosa sensação do arrepio.

Lembre-se do perfume das tardes da infância
Do aconchego das velhas amizades
Do tesão de todos os amores
Da magia de cada amanhecer.

E lembre-se mais...
Basta que você queira
E tudo acontece novamente:
No ser, pelo ser, para o ser
Nesse nosso lindo viver.

Então, por favor, meu irmão
Dê uma nova chance a você!

Maria Lucia de Almeida