sábado, 9 de janeiro de 2010

Como uma folha


Livre como uma folha
Ao vento
Leve, simples, singela
Ao puro sabor da vida
Rendo-me.
Sem mais resistir
- pretendo -
Seguir desprendida a jornada
Sem mágoa, dor ou sofrimento.

Maria Lúcia

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Última esperança


Das lembranças, a mais escondida
Sombra silenciosa e discreta
Ternura que se inunda e logo desvanece
Feito cheiro de flores à janela.

Sonho frágil, pouco acalentado
Entre águas claras se confunde
Barco leve, solto, segue à deriva
Desconhece seu porto de chegada.

Mas eis que no meio desse quase nada
Instante fulgas - retrocesso -
Surge qual ponto de retoma possibilidade
Da última esperança, ainda um resto!

Maria Lúcia de Almeida

domingo, 3 de janeiro de 2010

Lembranças


A noite que agora vem
Traz-me lembranças confusas
Feito o rosto de alguém
Que não sei se de amor
Ou se de amargura
Mas que deixa no ar
Ao menos o cheiro de aventura.
Confusas lembranças - porém -
Definem o traço da liberdade
Que hoje em cativeiro
Só me transforma em saudade.

Maria Lúcia de Almeida

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

A última vez


Olhei pro meu copo
Faltava cerveja.
Olhei pro relógio
Faltava você.
O sol se pôs mais cedo naquela tarde
E a noite chegou sem me avisar.
De repente faltou calor,
Faltou poesia,
Fiquei sem papel,
Sumiu a rima.
O garçon recolheu os copos,
O dono do bar fechou as portas,
E meu coração (se) partiu sozinho...
Pelas esquinas.

Maria Lúcia de Almeida

Que menino é este?


Eu vi o menino
De olhos tristes
Andar sem rumo
Pedir na esquina.

Eu vi o menino
De corpo fransino
Trabalhar no asfalto
Dormir na rua.

Eu vi o menino
Com a cara de fome
E a indiferença
Nos olhos do mundo.


Maria Lúcia