Toda Prosa & Versos
Escrever livremente é experimentar um momento de doçura que a gente em silêncio transforma em palavras. Momento profundamente singular e magicamente passível de concretude - expresso e desvendado - da nossa poesia oculta.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Felicidade
Dizem que a felicidade
se conquista todos os dias
- Seria uma eterna conquista? -
Porque a felicidade não se conquista
Nem ao menos se espreita
Felicidade não é algo
Não é matéria
Não tem forma
Não se define
Felicidade não se domina
E nem se exprime
Felicidade é etérea
Paira no ar...
Você sente
Respira
Se envolve
Porque a felicidade é antes de tudo
Um estado de ser.
Maria Lúcia de Almeida
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Um Instante

Aqui me tenho
como não me conheço
nem me quis
sem começo
sem começo
nem fim
aqui me tenho
sem mim
nada lembro
nada lembro
nem sei
à luz presente
à luz presente
sou apenas um bicho
transparente
Ferreira Gullar
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Tempo ao tempo
Triste os dias
Insólitos temores
Sem serventia
O som do silêncio
Traz em si
Uma só mensagem:
Limite-se à paisagem.
Maria Lúcia de Almeida
Insólitos temores
Sem serventia
O som do silêncio
Traz em si
Uma só mensagem:
Limite-se à paisagem.
Maria Lúcia de Almeida
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Aqui e Agora
Peregrina de meus dias
Sigo em paz meu caminhar
Do tempo que passei
Na solidão te amando
Sobraram versos soltos,
Rabiscos no papel.
Versos que nem mesmo vale
A um grande amor
Ser fiel.
Maria Lúcia de Almeida
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Efigênia
Pessoa franzina, miúda, mas de um jeito precioso para sua meia-idade. Sangue quente correndo nas veias, de apetite de vida que não esmorece. Delicada criatura de unhas e mãos sempre tratadas, cabelo arrumado, rostinho maquiado e brincos reluzentes nas orelhas. Feliz, sorridente e animada, FiFi sempre pronta para amar e ser amada.
De dia, como faxineira, ela vinha todos os dias limpar as nossas vidas. Pequeno anjo que adentrava pelas salas de trabalho revelando a vida e ascendendo o sol no coração da gente. Sexta-feira, dia especial, a bonequinha enfeitada e de saia rodada, acordava em nós o desejo de aproveitar a vida a cada instante. Mesmo depois de um dia inteiro de trabalho, procurava o prazer na dança. – Hoje eu me acabo no forró – dizia ela, depois de uma gostosa gargalhada.
A singularidade é que o coraçãozinho da FiFi envelheceu com graça. Parecia que a cada dia que passava ia respirando menos ar e com dificuldade.
Infelizmente ela faleceu não podendo o seu frágil sopro de vida vencer o esforço de uma batalha contra a pneumonia. Naquela hora humilde e agoniada, dentro da gente a ternura se desvanece. Fica o desgosto, às vezes a cólera, outra vez o desespero. E, finalmente, mergulhados na mais profunda tristeza, nada podemos fazer a não ser chorar um pouco.
Outro dia e o trabalho se reinicia, a vida retoma seu rumo. Voltamos a pensar que a morte é coisa longíngua, feita apenas para os outros...
Contudo, em tempo algum poderemos ser os mesmos porque dos nossos corações jamais se afastará a lembrança dos dias felizes que convivemos com a nossa querida FIFI. Nem a lembrança e nem a vibração de um riso manso, zombeteiro e alegre daquela linda alma de criança.
Maria Lúcia de Almeida
sábado, 25 de junho de 2011
Feitiço do tempo

De tudo
O que mais quero
São breves momentos
Mesmo sem lua
Na madrugada fria
Pela ronda dos bares
Sem quê e nem por quê
Se por ventura houvesse
Esperança, e por fim
A certeza de encontrar você.
Maria Lucia de Almeida
sábado, 5 de março de 2011
Nowhere ( lugar nenhum)

Que não mais existe
Um ser perdido
Em outras paragens
Ali ficou, no escondido.
Emoção
De ser livre
E viver pra ser feliz
Perdeu o real motivo
Pois ser escravo
De pés atados
Ser contido, ser contrário
- definitivamente -
Não faz o menor sentido.
Maria Lucia de Almeida
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