Há quem diga que a felicidade é uma conquista diária, uma espécie de território que precisa ser alcançado repetidas vezes, como se a vida fosse feita de pequenas vitórias acumuladas em silêncio. Mas eu nunca soube enxergá-la assim. Para mim, a felicidade não se conquista. Não se caça pelas esquinas do tempo, nem se guarda entre as mãos como algo precioso e frágil que pode escapar a qualquer descuido.
A felicidade não é coisa. Não tem matéria, peso ou contorno. Não aceita definições exatas, porque vive justamente no que transborda delas. Também não se deixa dominar. Quando tentamos aprisioná-la em fórmulas, ela se desfaz, leve, como névoa tocada pelo vento.
A felicidade, simplesmente, é.
Paira no ar das manhãs calmas, repousa no intervalo das palavras, mora nos pequenos instantes que quase passam despercebidos.
Ela se respira sem perceber. Envolve devagar.
E, de repente, se sente, inteira, no peito.
Talvez seja, a felicidade, antes de tudo, um jeito simples de existir. Uma maneira mais leve de caminhar pelo mundo, de olhar as pessoas, de amar sem excesso e sem medo. Não como quem possui algo, mas como quem aprende,
todos os dias, a pertencer suavemente à vida.
Maria Lúcia de Almeida Nazareth

