sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

CORINGA





O filme Coringa acompanha Arthur Fleck, um homem frágil, esquecido pela cidade e pelas pessoas. Ele vive entre o desejo de ser visto e a dor constante de ser ignorado. Seu riso, que deveria ser leve, nasce como um grito preso, um sinal de que algo dentro dele já está quebrado.  
A cidade não acolhe, apenas empurra. O trabalho falha, o cuidado desaparece, e até os laços mais íntimos se mostram frágeis. Arthur tenta existir com dignidade, mas encontra apenas desprezo, violência e silêncio. Aos poucos, o mundo ao seu redor deixa de ser apenas duro e se torna insuportável. 
Sua transformação em Coringa não acontece de repente — ela cresce nas brechas da indiferença, na ausência de empatia, no abandono coletivo. 
Não é só a história de um homem que enlouquece, mas também de uma sociedade que falha em cuidar. 
O filme incomoda, porque não mostra apenas um vilão nascendo, mas revela o quanto a dor ignorada pode se tornar algo perigoso. Traz uma reflexão sobre como a sociedade trata as pessoas mais vulneráveis e como a falta de apoio, empatia e cuidado pode levar a graves consequências.

Vale destacar a brilhante atuação  de Joaquin Phoenix!

Maria Lucia de Almeida. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Como um sonho




Pelas tardes aquietava-se.
Não tinha outra aventura
Sentir-se viva lhe bastava.
Como uma sombra de outrora,
Lembrar da vida era cachaça.
Era cachaça
Embriagar-se de saudade.

Maria Lúcia de Almeida