"A esperança, essa velha companheira dos brasileiros, insiste em nos dar a mão."
E ficamos assim... mais uma vez no nosso canto. Não exatamente humilhados pela derrota, porque perder faz parte do jogo, mas tomados por uma estranha sensação de vazio.
A bola para de rolar, a festa acaba, e o Brasil volta a ser apenas o Brasil.
Enquanto os estádios se apagam, as luzes das ruas continuam acesas para quem não tem casa. O preço dos alimentos segue subindo, a feira cabe cada vez menos no bolso, os remédios pesam, as filas dos hospitais persistem, e há quem sonhe não com uma taça, mas com um emprego, um prato de comida, um teto onde possa dormir em paz.
Talvez seja esse o campeonato que mais nos desafia. Um campeonato que não se vence com gols, mas com escolas que acolhem, hospitais que funcionam, políticas sociais que devolvam dignidade a quem foi ficando pelo caminho. Porque há derrotas que doem noventa minutos, e há outras que atravessam anos.
Mesmo assim, conhecendo o brasileiro como conheço, sei que um dia vestiremos novamente a camisa amarela. Torceremos, sofreremos, faremos promessas e acreditaremos outra vez. Não porque o futebol resolva os nossos problemas, mas porque a esperança, essa mania brasileira, insiste em sobreviver.
E talvez seja justamente dela que precisemos para cobrar um país que celebre menos as vitórias passageiras e se empenhe mais em vencer as derrotas permanentes.
Porque Pátria, ai... não é a taça que levantamos de tempos em tempos. Pátria é essa dor no peito que nunca esmorece e essa esperança teimosa, que , apesar de tudo, se recusa a morrer.
Maria Lúcia de Almeida