terça-feira, 27 de junho de 2017

Mulher - Maravilha


Ao me perguntarem por um bom filme que assisti no cinema em 2017, vou dizer, sem sombra de dúvida: “Mulher-Maravilha”. Um dos melhores.
 É o primeiro grande filme de estúdio de uma heroína dirigido por uma mulher, e isso transparece de formas sutis, porém muito importantes, pois a diretora Patty Jenkins, embora não seja muito conhecida, consegue introduzir mudanças e caraterísticas que separam seu filme das recentes versões para o cinema de filmes de super herois. Ela faz de seu longa uma versão lúdica e sensível, divertido e cheio de charme, sem jamais tornar o filme tolo ou pesado.
A atriz israelense Gal Godot é realmente uma maravilha, mas sua contribuição vai além da beleza. Se a história de origem da Mulher-Maravilha foi criada com coração e empatia pela diretora Patty Jenkins, também é preciso agradecer a brilhante performance de Gat Gadot por isso. Ela dá voz ao emponderamento feminino, não só nas suas atitudes como também no discurso, e nos presenteia com uma atuação que mistura prazer, humor e muita emoção.
Somado a tudo isso, ainda existe espaço no filme para falar de racismo, abuso de poder, machismo e uma precisa e divertida pitada de erotismo. E principalmente, o filme consegue mostrar para que veio, ou seja, que o amor é, e sempre será, a força mais poderosa do universo.

Maria Lúcia de Almeida

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Pátria Nossa






Penso que, por vezes, a história brasileira parece desenvolver-se com irritante falta de imaginação e nenhuma criatividade. E ao contrário do que costuma acontecer na ficção, o que ficou foram conseqüências drásticas que desfiguraram a nossa sociedade, marcando-a com cicatrizes que o tempo não deverá apagar tão cedo. Os treze anos do governo petista, não deixaram vencedores e vencidos no saldo dos confrontos sociais, Todos, a meu ver, e de certa maneira, saíram derrotados.
O partido dos trabalhadores e seu líder Luiz Inácio da Silva, o ex-presidente Lula, viu o respeito e a admiração tão arduamente conquistados, transformarem-se em medo, desprezo e repúdio. Sem contar que o anedotário criado pela contrapropaganda acabou por contaminar com o ridículo a própria imagem da presidente do país. À tentativa de manipulação ideológica, retrucou-se com as denuncias de corrupção, com o deboche e a desmoralização.
A classe média, ao ver iniciar a desaceleração econômica, o recomeço da espiral inflacionária, a conseqüente deterioração dos diversos setores financeiros e de responsabilidade social do país, começou a mobilizar-se e a exigir os princípios democráticos. Para essa classe, ficou carregar o fardo de ser reconhecida e apontada como patrocinadora do ‘golpe’ e financiadora da máquina de repressão.

Mas a carga maior, sem dúvida, recaiu grande parte sobre as camadas médias e classes trabalhadoras, que em plena crise, sentiram-se dominadas pelo temor, pela insegurança e pela ignorância forçada. Falava-se em socialismo e igualdade de condições para trabalhadores exaustos que queriam apenas melhorar suas condições de trabalho, receber salários mais elevados e melhores condições de vida na saúde, na educação e no lazer. Um governo que se dizia comprometido com os interesses de todos e, por isso, merecedor de apoio, revelou-se na verdade, um sistema populista alienado no egoísmo de seus projetos e interesses individuais. E a classe trabalhadora mais uma vez perdeu a liberdade de viver como participante ativa da história, de se conhecer e viver como parte de uma comunidade maior. Só um esforço enorme poderá permitir-lhes superar o tempo perdido. 
E mais uma vez o futuro do Brasil está comprometido. Estaremos correndo o risco de esperar por muito tempo, estaremos correndo o risco de chegar de novo a fenômenos de desmoralização de toda nossa sociedade, estaremos correndo talvez um risco pior ainda: ver a situação dar uma virada tal que uma direita, muito mais estrema do que a que já conhecemos, tome o poder. E dessa vez, ela saberá muito bem como mantê-lo.
É possível também que nada disso aconteça e que se desemboque num processo de recuperação e coisas desse tipo. Sinceramente, espero e desejo muito por isso. Mas um governo dito socialista perdeu totalmente o tipo de apoio popular que adquiriu nas últimas eleições. O PT perdeu a chance de ser um partido ético e de ter feito a diferença na história política do Brasil.

Maria Lúcia de Almeida

terça-feira, 28 de junho de 2016

Agora é tarde.








Luz que se acende
Por detrás da mata
Traga o verde,
Entristecendo a paisagem.
Tarde demais
Para dizer que te tenho carinho.
Pássaro voou,
Vazio ficou o ninho.
Injusta é a vida
Porque é sempre tarde.
E a verdade,
A morte não alcança.

Maria Lúcia de Almeida

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ilusão


Quem sou eu além daquela que quero ser?
Do tempo escondido na própria vida
Fui refém.
Deixei a vida passar, e com ela a realidade.
Agora já não sou eu,
Sou metade.
Salva pelas mãos delicadas de um anjo,
Fotografei a felicidade por uma porta entreaberta.
O anjo contou-me um segredo hilário:
 - Era a porta da ilusão -
Fui para o seu lado...
Mas você sempre ao contrário.

Maria Lúcia de Almeida

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Como um sonho




Pelas tardes aquietava-se.
Não tinha outra aventura
Sentir-se viva lhe bastava.
Como uma sombra de outrora,
Lembrar da vida era cachaça.
Era cachaça
Embriagar-se de saudade.

Maria Lúcia de Almeida

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Para lembrar






A vida
Como um tempo
Um sopro
Um alento
Um recado
Passado
Aos quatro ventos.
A vida
Como um instante
Um momento
Presente
Que nunca mais será.

Maria Lúcia de Almeida

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Só mais essa vez






Naquele momento
Não se sabia
Se era só saudade
Ou se mesclava ternura.
Uma dor transitória
Que com a tarde se despedia.
Naquele momento de tantas dúvidas
- qual era mesmo a alternativa? -
Era você ou só você
Ou se levanta ou agoniza.
O tempo passou
Não há mais desculpas.


Maria Lúcia de Almeida