quinta-feira, 14 de julho de 2016

A Roda da Vida




Roda, roda...
O tempo roda à nossa volta
No eterno ciclo da vida.
Poder, designo, ilusão
Carregamos dentro de nós.
Livre arbítrio ou destino?
Resposta que nem mesmo os deuses
Ousariam responder.

Maria Lucia de Almeida

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Pátria Nossa






Penso que, por vezes, a história brasileira parece desenvolver-se com irritante falta de imaginação e nenhuma criatividade. E ao contrário do que costuma acontecer na ficção, o que ficou foram conseqüências drásticas que desfiguraram a nossa sociedade, marcando-a com cicatrizes que o tempo não deverá apagar tão cedo. Os treze anos do governo petista, não deixaram vencedores e vencidos no saldo dos confrontos sociais, Todos, a meu ver, e de certa maneira, saíram derrotados.
O partido dos trabalhadores e seu líder Luiz Inácio da Silva, o ex-presidente Lula, viu o respeito e a admiração tão arduamente conquistados, transformarem-se em medo, desprezo e repúdio. Sem contar que o anedotário criado pela contrapropaganda acabou por contaminar com o ridículo a própria imagem da presidente do país. À tentativa de manipulação ideológica, retrucou-se com as denuncias de corrupção, com o deboche e a desmoralização.
A classe média, ao ver iniciar a desaceleração econômica, o recomeço da espiral inflacionária, a conseqüente deterioração dos diversos setores financeiros e de responsabilidade social do país, começou a mobilizar-se e a exigir os princípios democráticos. Para essa classe, ficou carregar o fardo de ser reconhecida e apontada como patrocinadora do ‘golpe’ e financiadora da máquina de repressão.

Mas a carga maior, sem dúvida, recaiu grande parte sobre as camadas médias e classes trabalhadoras, que em plena crise, sentiram-se dominadas pelo temor, pela insegurança e pela ignorância forçada. Falava-se em socialismo e igualdade de condições para trabalhadores exaustos que queriam apenas melhorar suas condições de trabalho, receber salários mais elevados e melhores condições de vida na saúde, na educação e no lazer. Um governo que se dizia comprometido com os interesses de todos e, por isso, merecedor de apoio, revelou-se na verdade, um sistema populista alienado no egoísmo de seus projetos e interesses individuais. E a classe trabalhadora mais uma vez perdeu a liberdade de viver como participante ativa da história, de se conhecer e viver como parte de uma comunidade maior. Só um esforço enorme poderá permitir-lhes superar o tempo perdido. 
E mais uma vez o futuro do Brasil está comprometido. Estaremos correndo o risco de esperar por muito tempo, estaremos correndo o risco de chegar de novo a fenômenos de desmoralização de toda nossa sociedade, estaremos correndo talvez um risco pior ainda: ver a situação dar uma virada tal que uma direita, muito mais estrema do que a que já conhecemos, tome o poder. E dessa vez, ela saberá muito bem como mantê-lo.
É possível também que nada disso aconteça e que se desemboque num processo de recuperação e coisas desse tipo. Sinceramente, espero e desejo muito por isso. Mas um governo dito socialista perdeu totalmente o tipo de apoio popular que adquiriu nas últimas eleições. O PT perdeu a chance de ser um partido ético e de ter feito a diferença na história política do Brasil.

Maria Lúcia de Almeida

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ilusão


Quem sou eu além daquela que quero ser?
Do tempo escondido na própria vida
Fui refém.
Deixei a vida passar, e com ela a realidade.
Agora já não sou eu,
Sou metade.
Salva pelas mãos delicadas de um anjo,
Fotografei a felicidade por uma porta entreaberta.
O anjo contou-me um segredo hilário:
 - Era a porta da ilusão -
Fui para o seu lado...
Mas você sempre ao contrário.

Maria Lúcia de Almeida

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Como um sonho




Pelas tardes aquietava-se.
Não tinha outra aventura
Sentir-se viva lhe bastava.
Como uma sombra de outrora,
Lembrar da vida era cachaça.
Era cachaça
Embriagar-se de saudade.

Maria Lúcia de Almeida

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Para lembrar






A vida
Como um tempo
Um sopro
Um alento
Um recado
Passado
Aos quatro ventos.
A vida
Como um instante
Um momento
Presente
Que nunca mais será.

Maria Lúcia de Almeida

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Só mais essa vez






Naquele momento
Não se sabia
Se era só saudade
Ou se mesclava ternura.
Uma dor transitória
Que com a tarde se despedia.
Naquele momento de tantas dúvidas
- qual era mesmo a alternativa? -
Era você ou só você
Ou se levanta ou agoniza.
O tempo passou
Não há mais desculpas.
Agora é a vez,
Dê logo a partida.

Maria Lúcia de Almeida

domingo, 3 de maio de 2015

Again


Gotas de chuva fria na janela
e, de repente, uma saudade:
Tem cheiro e gosto de você, baby.
Chuva que tantas vezes lavou os nossos passos
Hoje traz cheirinho de roupa limpa,
de estradas e madrugadas,
de cartas perfumadas.
Redescubro nossos segredos
nas muitas conversas,
nos poemas declamados,
nos versos de Leminski,
naquela música tocada ao longe.
E vivo novamente,
O momento que nunca mais será.
Um tempo só nosso, um adeus.
- "Play it again, Sam"-
E permito que a chuva fria
Perfume as ruas de meus sonhos.

Maria Lúcia de Almeida