Roda, roda…
o tempo gira dentro de mim,
como um segredo que pulsa
no fundo do peito.
Não há começo,
talvez nem fim.
Apenas esse sopro quieto
que me atravessa
e me refaz.
Carrego em silêncio
um mundo que ninguém vê:
memórias que não sei de onde vêm,
pressentimentos
que não sei explicar.
Entre o que escolho
e o que me chama,
caminho.
Às vezes sou eu,
outras, algo em mim decide
sem pedir licença.
Há uma chama baixa, constante,
como se soubesse o caminho
antes de mim.
E eu escuto…
ou tento.
Livre-arbítrio ou destino?
A pergunta não grita,
ela repousa, morna,
entre um batimento e outro.
Talvez a resposta
não precise existir.
Talvez o mistério
seja o que me sustenta.
E assim sigo, em mim,
girando com o tempo,
tocando de leve
o enigma de ser.
Maria Lúcia de Almeida
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