O vento na tarde se faz outono
na espera da suavidade do frio.
Alguns sonhos em flor desvanecem
lentamente sobre o vazio.
Recolhem-se em silêncio e memória,
folhas frágeis do tempo vivido,
e buscam na alma o agasalho
para aquilo que ainda não foi esquecido.
Há uma ternura cansada no horizonte,
um céu pálido de despedida,
enquanto o vento atravessa a tarde
como quem folheia a própria vida.
Maria Lúcia de Almeida

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