quinta-feira, 23 de junho de 2016

Um dia, Um adeus. Eu indo embora...đŸŽ¶

Nas ruas, sĂł o silĂȘncio.
A madrugada morna deslizava leve, com o sopro doce de uma brisa que trazia no ar o cheiro do verĂŁo. Mas nĂŁo era sĂł isso — havia algo mais.
Os perfumes da noite se misturavam como lembranças: flor noturna, asfalto quente, vento  de chuva e um quĂȘ de saudade.
Para ela, aquela cidade era mais que cenĂĄrio, 
era alma gĂȘmea.
Tinha cheiro de liberdade,  presença, mistĂ©rio, cumplicidade e paixĂŁo.
Somente ali, sĂł ali, os sentimentos ganhavam forma e aroma.
A cada esquina, um sussurro do passado,
a cada sombra, um beijo que nĂŁo voltaria.
Foi ali, entre luzes tĂ­midas e o silĂȘncio cĂșmplice, que uma alma e uma cidade se despediram.
Sem lĂĄgrimas, mas com hora marcada.
Um Ășltimo encontro bordado no tempo,
antes do eterno adeus.

Maria LĂșcia de Almeida
Dezembro / 1991

 

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