Nas ruas, sĂł o silĂȘncio.A madrugada morna deslizava leve, com o sopro doce de uma brisa que trazia no ar o cheiro do verĂŁo. Mas nĂŁo era sĂł isso — havia algo mais.Os perfumes da noite se misturavam como lembranças: flor noturna, asfalto quente, vento de chuva e um quĂȘ de saudade.Para ela, aquela cidade era mais que cenĂĄrio,era alma gĂȘmea.Tinha cheiro de liberdade, presença, mistĂ©rio, cumplicidade e paixĂŁo.Somente ali, sĂł ali, os sentimentos ganhavam forma e aroma.A cada esquina, um sussurro do passado,a cada sombra, um beijo que nĂŁo voltaria.Foi ali, entre luzes tĂmidas e o silĂȘncio cĂșmplice, que uma alma e uma cidade se despediram.Sem lĂĄgrimas, mas com hora marcada.Um Ășltimo encontro bordado no tempo,antes do eterno adeus.
Maria LĂșcia de AlmeidaDezembro / 1991
Escrever livremente Ă© experimentar um momento de doçura que a gente em silĂȘncio transforma em palavras. Momento profundamente singular e magicamente passĂvel de concretude - expresso e desvendado - da nossa poesia oculta.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Um dia, Um adeus. Eu indo embora...đ¶
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