Naquele tempo o mundo parecia suspenso entre o que partia e o que ainda insistia em ficar.
Não se sabia ao certo se era saudade ou ternura; talvez uma mistura silenciosa das duas, dessas que doem devagar, como a luz da tarde se despedindo sem pressa. Havia uma dor mansa, quase bonita que se espalhava pelos cantos do pensamento, como se cada lembrança carregasse um pouco de você.
Naquele momento , o tempo não pediu licença, ele simplesmente passou. Levou consigo hisitaçoes, as perguntas, as pequenas e as grandes desculpas que ainda tentavam sobreviver.
Então o tempo passou - não como quem anda, mas como quem leva. E levou as perguntas, as pausas, as derradeiras desculpas, como folhas soltas na corrente de um adeus inevitável.
E, quando tudo enfim se aquietou, restou apenas a certeza tardia - algumas coisas não se resolvem, apenas nos atravessam e seguem, mesmo quando não estamos prontos para deixá-las ir.
Ficou apenas isso : uma ausência que ainda respira, um instante que termina, e o peso delicado de saber que algumas histórias não se encerram - apenas continuam, silenciosas , dentro da gente, em um eterno sentir.
Maria Lucia de Almeida
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