
Em algum lugar li: “Qualquer regra é um engodo.”
“Deixe apenas que as pessoas sejam...”
Mas isso também não seria uma regra?
Temos nos massacrado uns aos outros suavemente, mesmo quando movidos pelas melhores intenções.
De relance, atravessa minha cabeça a ideia:
“Este mundo é uma casa de loucos.”
E então me pego sorrindo.
Olho pela janela e vejo as folhas dançando ao vento. Imagino que riem comigo.
Sinto alívio da minha própria seriedade.
Esse era o meu jeito de viver: deixar que as pessoas entrassem e saíssem da minha vida, contentando-me com o que havia, com quem permanecia e até com aquilo de que eu menos gostava.
Mas chega um momento em que nos cansamos de encontros e desencontros equivocados. E, nesse mundo de loucos, desconfio de que talvez eu sempre tenha sido a mais louca de todos.
Passei anos lendo romances em que as heroínas podiam tudo. Bastava um telefonema para quem desejavam, e as pessoas vinham. Sempre vinham.
Enquanto lia, eu também me sentia assim: rodeada de pessoas, envolvida por uma deliciosa sensação de repouso.
No entanto, minha vida não é um romance — e muito menos posso permitir que se transforme numa reles novela.
Resumindo: nada deveria ser desse jeito.
Fim da “hora da comédia” proporcionada por mim mesma.
A voz da sobrevivência grita mais alto:
“Viva. Sorva a taça até o fim. Procure o verdadeiro amigo.”
Nesse instante, já não me sinto tão louca. E o mundo também deixa de parecer apenas uma casa de loucos.
Afinal, a ilha da comunicação perfeita deve existir em algum oceano perdido.
E lá vou eu sonhar de novo.
Maria Lucia de Almeida

