Há dias em que o mundo pesa.
O corpo acorda, mas a alma parece querer dormir um pouco mais.O que antes era rotina agora custa tanto : levantar, escovar os dentes, olhar o céu. Tudo parece distante, nublado, como se o tempo passasse e a gente ficasse parado dentro dele
Ela sabe disso.
Ela sente no peito essa sombra que não se explica, que não se resolve com palavras otimistas e nem com promessas de que “vai passar”. Porque quem está dentro da tristeza não quer consolo forçado, só um lugar seguro pra descansar.
Mas há algo sutil que resiste:
o toque morno de uma xícara de café,
um verso bonito que chega de surpresa,
o cheiro das manhãs.
São pequenos sinais de que ainda existe beleza — mesmo quando não se vê.
Talvez viver, nesses dias, seja apenas isso:
ficar.
Não se cobrar alegria.
Apenas estar.
E confiar, mesmo sem forças, que a dor também tem seus ciclos,
e que dentro do silêncio germina alguma transformação.
Maria Lucia de Almeida