Escrever livremente é experimentar um momento de doçura que a gente em silêncio transforma em palavras. Momento profundamente singular e magicamente passível de concretude - expresso e desvendado - da nossa poesia oculta.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
quinta-feira, 12 de julho de 2012
Comigo
Talvez nesta tarde eu teria:
Um sonho
Um conforto
Uma esperança.
De ser somente criança
De pés descalços na areia.
O som do mar
A brisa fresca
E um doce perfume de antigamente.
Lembranças tão queridas!
Mas saudade mesmo...
De mim, somente.
Maria Lúcia de Almeida
Um sonho
Um conforto
Uma esperança.
De ser somente criança
De pés descalços na areia.
O som do mar
A brisa fresca
E um doce perfume de antigamente.
Lembranças tão queridas!
Mas saudade mesmo...
De mim, somente.
Maria Lúcia de Almeida
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Felicidade
Há quem diga que a felicidade é uma conquista diária, uma espécie de território que precisa ser alcançado repetidas vezes, como se a vida fosse feita de pequenas vitórias acumuladas em silêncio. Mas eu nunca soube enxergá-la assim. Para mim, a felicidade não se conquista. Não se caça pelas esquinas do tempo, nem se guarda entre as mãos como algo precioso e frágil que pode escapar a qualquer descuido.
A felicidade não é coisa. Não tem matéria, peso ou contorno. Não aceita definições exatas, porque vive justamente no que transborda delas. Também não se deixa dominar. Quando tentamos aprisioná-la em fórmulas, ela se desfaz, leve, como névoa tocada pelo vento.
A felicidade, simplesmente, é.
Paira no ar das manhãs calmas, repousa no intervalo das palavras, mora nos pequenos instantes que quase passam despercebidos.
Ela se respira sem perceber. Envolve devagar.
E, de repente, se sente, inteira, no peito.
Talvez seja, a felicidade, antes de tudo, um jeito simples de existir. Uma maneira mais leve de caminhar pelo mundo, de olhar as pessoas, de amar sem excesso e sem medo. Não como quem possui algo, mas como quem aprende,
todos os dias, a pertencer suavemente à vida.
Maria Lúcia de Almeida
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Peregrina
Peregrina de meus dias
Sigo em paz meu caminhar
De um tempo que passei
Na solidão te amando
Sobraram versos soltos no papel.
Versos que nem mesmo vale,
A um grande amor ser fiel.
Maria Lúcia de Almeida
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Efigênia
Pessoa franzina, miúda, mas de um jeito precioso para sua meia-idade. Sangue quente correndo nas veias, de apetite de vida que não esmorece. Delicada criatura de unhas e mãos sempre tratadas, cabelo arrumado, rostinho maquiado e brincos reluzentes nas orelhas. Feliz, sorridente e animada - FiFi - sempre pronta para amar e ser amada.
De dia, como faxineira, ela vinha todos os dias "limpar" as nossas vidas. Pequeno anjo que adentrava pelas salas de trabalho iluminando a vida e ascendendo o sol no coração da gente. Sexta-feira, dia especial, a bonequinha enfeitada e de saia rodada, acordava em nós o desejo de aproveitar a vida a cada instante. Mesmo depois de um dia inteiro de trabalho, procurava o prazer na dança. – Hoje eu me acabo no forró – dizia ela, depois de uma gostosa gargalhada.
A singularidade é que o coraçãozinho da FiFi envelheceu com graça. Parecia que a cada dia que passava ia respirando menos ar e com dificuldade.
Infelizmente ela faleceu não podendo o seu frágil sopro de vida vencer o esforço de uma batalha contra a pneumonia. Naquela hora humilde e agoniada, dentro da gente a ternura se desvanece. Fica o desgosto, às vezes a cólera, outra vez o desespero. E, finalmente, mergulhados na mais profunda tristeza, nada podemos fazer a não ser chorar um pouco.
Outro dia e o trabalho se reinicia, a vida retoma seu rumo. Voltamos a pensar que a morte é coisa longíngua, feita apenas para os outros...
No entanto, em tempo algum seremos os mesmos, pois dos nossos corações jamais se afastará a lembrança dos dias felizes que convivemos com a nossa querida FIFI. Nem a lembrança e nem a vibração de um riso manso, zombeteiro e alegre daquela linda alma de criança.
Maria Lúcia de Almeida
sábado, 25 de junho de 2011
Feitiço do tempo
De tudo
O que mais quero
São breves momentos
Mesmo sem lua
Na madrugada fria
Sem quê, nem pra quê
Se por ventura
- houvesse-
A mais tenra esperança
- houvesse-
A mais tenra esperança
- e por fim -
A breve certeza
De encontrar você.
De encontrar você.
Maria Lucia de Almeida
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