Dizem que sou dramática, e talvez seja verdade.
Há em mim uma certa inclinação para sentir demais, para alongar os instantes, para dar às pequenas coisas uma dimensão quase teatral.
Mas o que eu descrevo, não é aquele drama vazio,
de exagero por hábito. É outra coisa, é percepção ampliada. É olhar para o cotidiano e enxergar camadas que muita gente não percebe.
Isso é matéria-prima de poesia.
Um suspiro não é apenas um suspiro, é um acontecimento. Um silêncio não é vazio, é carregado de significados que ninguém pediu, mas que eu inevitavelmente encontro.
Meu filho quando diz que sou dramática, diz com a leveza de quem observa de fora, talvez sem saber que o drama não é exagero gratuito, é uma força de estar no mundo com as portas abertas. Porque quem sente pouco passa ileso, mas também passa vazio. Eu não. Eu atravesso.
Gosto dos dramas, sim. Gosto dos pesos das palavras, do gesto que se prolonga, da emoção que não se esconde. Há beleza nisso. Uma beleza profundamente humana. A arte afinal, não nasce da indiferença. Nasce desse transbordamento que, as vezes incomoda, às vezes diverte, mas sempre revela.
Sou dramática, que seja. Vivo com intensidade, não economizo alma. E, no final das contas, talvez o mundo precise mesmo de alguns exageros, porque são eles que nos lembram que sentir vale a pena.
Então, penso que a melhor definição seja essa: você não é "dramática", você é expressiva com intensidade. E, sim...isso é profundamente poético.
Maria Lucia de Almeida
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