sábado, 23 de maio de 2026

Filmes & Filmes

 


Há quem olha para os filmes que amo e os chamam de lentos, melancólicos, silenciosos demais, até  mesmo chatos.Talvez porque estejam acostumados a histórias que apenas passam pelos olhos, enquanto eu procuro aquelas que atravessam a alma.
Gosto dos filmes bem feitos, daqueles em que cada gesto parece carregado de intenção, em que os atores não apenas interpretam, mas habitam a dor, a alegria e o mistério de seus personagens. E existem, para mim, duas espécies de cinema. Há os filmes que são puro deleite: um bom policial investigativo que nos prende pela inteligência, aventuras cheias de movimento e vertigem, romances leves que aquecem o coração, ou ainda as ficções que nos permitem escapar do mundo por algumas horas. Esses filmes divertem, distraem, fazem rir, suspirar, esquecer.

Mas existem os outros.

Os filmes que permanecem depois dos créditos. Aqueles que mexem nas partes mais escondidas de nós, que deixam perguntas ecoando em silêncio. Filmes que não têm medo da tristeza, porque compreendem que a vida também é feita de ausências, perdas, delicadezas e sombras. Nem toda história precisa terminar feliz para ser bela. A vida mesma não se entrega a definições exatas; ela muda de cor conforme a luz do dia e o peso do coração.  
Por isso, quando alguém diz não gostar de determinado filme de arte, evito qualquer arrogância. Ainda assim, às vezes penso - talvez a pessoa apenas não o tenha compreendido. Ou pior: talvez não o tenha sentido. Porque certos filmes não se entendem apenas com a mente. Eles pedem silêncio, entrega e um coração disposto a ser tocado.
E isso aparece muito na maneira como eu sinto as coisas. Não olho para um filme apenas como narrativa ou técnica, procuro o que pulsa por baixo da história.  Talvez por isso os filmes mais lentos me agradam tanto. Eles não têm pressa de chegar ao fim; permitem que a emoção respire. Como a vida, que raramente acontece em explosões contínuas: quase sempre ela acontece nos intervalos, nos silêncios, nos olhares demorados, nas coisas que não são ditas.

Maria Lucia de Almeida 

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