sexta-feira, 23 de maio de 2008

A melhor parte de mim


De tudo que sei e vejo:
Não sei!
Não sei olhar a vida e não me emocionar...
Choro pelo belo que vejo,
Choro diante da perplexidade...
Rio de mim e por mim.
Procuro incessantemente descobrir quem sou
E parecer comigo...
Choro por mim,
Rio na mesma intensidade.
Não sou alegre nem triste,
Sou.
Vasculho sótãos e porões da minha alma:
Não esqueço, aqueço.
Minhas memórias são sempre-vivas.
Sou aquela que não pensa, vive.
Vivo de amor, poesia e brisa...
Sou quem, por ora, me habita.
"Sou o que vejo!"
E como vejo coisas "demais",
procuro ver bem tudo que gosto.
Espalho o que gosto de ver por todos os lugares e cantos...
para que eu possa, sempre, me lembrar quem sou.
Esta é uma das coisas que gosto de ver bem ...
Alberto Caeiro

domingo, 2 de março de 2008

Canção Mínima ( de minha poetisa predileta)




No mistério do sem-fim
Equilibra um planeta.
E, no planeta, um jardim
E, no fardim, um canteiro
No canteiro uma violeta
E, sobre ela, o dia inteiro
Entre o planeta e o sem-fim,
A asa de uma borboleta.

Cecília Meireles

Vitrine



Pelas frestas de seus olhos
Posso ver anjos sorrindo
Posso tocar luas que nascem
Por entre vales escuros.

Por entre becos sem fim
Alamedas de saudades
São pedaços de mil mundos
Dispersos dentro de mim.

E me perco nos seus olhos
Desvendando seus mistérios
Eu - vendo minha alma nua -
Na transparência dessa vitrine.

Maria Lucia de Almeida

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Centelha





Se penso
E repenso
Nada acontece
Alma permanece no escuro.
Mas quando me sinto
- Logo existo -
Centelha de luz
Que me escolhe,
Isola,
Identifica,
Entre os seres do mundo.

Maria Lúcia de Almeida

sábado, 26 de janeiro de 2008

Viva!!!





Quando a saudade apertar
Quando a tristeza surgir
Quando a alegria desaparecer
Quando o vazio chegar
Abra a porta, a janela
Abra o mundo para a vida entrar.

Quando o corpo tremer
Quando o soluço gritar
Quando a lágrima cair
Quando sentir-se sacudida pelos soluços
Não se feche, não se desespere
Permita que reconheça
Que além de sorrir, você sabe chorar.

Quando despontar o dia
Ao invés de chorar, sorria
Quando o crepúsculo chegar
Quando a lua surgir
Quando a primeira estrela brilhar
Pare um pouco seus pensamentos,
E aprenda a sonhar.

Quando sentir-se sozinha em meio a multidão
Esqueça o medo que tinha
De um dia chegar a solidão
E viva a vida calmamente
Como se tudo fosse fantasia
Como se somente existisse utopia
E viva...com alegria.

Quando a realidade chegar
E as cores se transformarem em nada
Não se esqueça de lembrar
Que tudo faz parte da vida
Tudo a completa...
E viva!!!

sábado, 12 de janeiro de 2008

Flores Tristes






"Existia na Ásia as "Flores Tristes",
as quais foram dotadas o nome de "estrelas perdidas".
É uma antiga lenda, segundo a qual, essas flores são
estrelas que se perderam durante a noite e caíram na terra.
O comovente é que seus ramos longos e frios parecem atirar-se
inutilmente do espaço para a liberdade perdida.
Como os homens: cada um de nós perdeu, irremediavelmente,
alguma coisa na vida...
Um caminho, uma esperança, uma felicidade."

Anônimo.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Belo Horizonte



Como vai BH?
Ouve a voz da montanha
Como vai?
Sei de cor meu lugar
Belo Horizonte
Quando cai a tarde em meu coração
Liberdade a praça das paixões

Se distante a saudade quer chegar
Quem feriu a linda serra do curral
Luz da lua apareceu
Como se fosse sonho meu
Como se fosse bom

Manacá como vai?
Dama da noite como vai?
Sei de cor meu lugar
Salve a floresta
Vem andar no prado – Cidade jardim
Hoje é festa na dor das capitais
Nas cinzas dos quintais

Se entreguei meu coração num dia assim
Li seu nome na palmeira imperial
Encantado descobri
Flor de minas
Bem ou mal.

Flávio Venturini