No centro do quarto,
ardendo manso como lume,
um anjo atravessa meus sentidos.
Espalha sussurros —
visão pura, quase translúcida,
delicada presença
que toca segredos,
hábitos, silêncios.
Dize-me, anjo:
que mistério sustentas
se já não durmo,
desfeita em sonhos
que me recolhem devagar?
Na penumbra da tarde,
sob o fio leve da espera,
fica apenas um sereno saber:
que ele, antes de mim,
já conhecia
todos os delírios,
as mortes,
e o fim.
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