Havia a lua.
E ela os via.
Via o desejo,
quieto, inteiro,
como quem guarda
um segredo na luz.
No apartamento,
tudo era presença:
respiração,
movimento,
certeza.
Falavam baixo
sobre a vida,
como se o mundo
coubesse ali.
E então,
o encaixe:
o abraço,
o beijo,
o tempo suspenso.
Ela, perplexa,
olhava o nada -
tentando entender
o que não se explica.
Mas havia a lua.
E ela os via
amando tanto.
Maria Lucia de Almeida

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