domingo, 3 de maio de 2015

Again






Gotas de chuva fria na janela e, novamente, seus traços 
em leves sopros mornos de bem-querer.
Chuva que tantas vezes lavou nossos passos, baby, hoje
me chega com cheirinho de roupa limpa, de estradas   e
madrugadas, de cartas perfumadas.
Resgato os muitos segredos contidos em nossas conversas,
nos poemas declamados, naquela música ao longe...
E revivo o momento que nunca mais será: um tempo só nosso,
tempo em que fizemos a opção de simplesmente ser, intensamente vivido.
E nesse momento de saudade, de lembranças feito o rosto de alguém, eis 
que surge sua presença amiga a me envolver, como o aconchego
de uma tarde de chuva.
Como são comoventes esses momentos de silêncio e solidão , quando consultamos
a memória rica de nossas lembranças. No entanto, amor não se pede, baby.
Amor se perde! Uma pena.
E, sendo assim, todas histórias de amor me parecem iguais. 
Como dizia Álvaro Campos: 'Todas as cartas de amor são ridículas!
A verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que são ridículas'.
De qualquer forma, as gotas de chuva voltarão e, em todas as vezes, sentirei que valeu
a pena suportar a dor da ausência. Será nesses momentos que os sonhos irão regar 
uma existência sem sentido, ao conservar um pouco de amor platônico dentro de 
um amor que um dia foi correspondido.

Maria Lúcia de Almeida

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Busca



Obcecada por você
Procuro.
Procuro por seus poemas 
Mas nada encontro.
Seria Inverno, Inferno, quem sabe um outro nome?
Um anjo torto, talvez louco
Parece ser, mas tão incerto 
E a busca continua...
Palavra por palavra, pétala por pétala
Quase sempre um 'não me quer'.
Mas eis que a resposta estava no tempo:
Um 'bem me quis' lá do passado
Com perfil, nome e codinome:
Inverno.
Gotcha!
"Terezinha de Jesus, quem sair por último apaga a luz".

Maria Lúcia de Almeida

quarta-feira, 25 de março de 2015

Muda a estação e a poesia.


O vento na tarde se faz outono
na espera da suavidade do frio.
Alguns sonhos em flor desvanecem
lentamente sobre o vazio.

Recolhem-se em silêncio e memória,
folhas frágeis do tempo vivido,
e buscam na alma o agasalho
para aquilo que ainda não foi esquecido.

Há uma ternura cansada no horizonte,
um céu pálido de despedida,
enquanto o vento atravessa a tarde
como quem folheia a própria vida.

 Maria Lúcia de Almeida

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Senhor Tempo




A estrada é longa
E se leva tempo para percorrer
Assim, como uma aprendiz, 
Sigo a procura de mim.

Mas não pretendo ir tão longe
Pois todo longe é demais.
O passado fica cada vez mais lento, 
É preciso esquecer quanto tempo faz.

Maria Lúcia de Almeida

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

Segredos





Folhas ao vento
Levem meu recado.
Contem todas
As minhas lembranças
Meus segredos
Meus medos
Minha esperança
De alguém que um dia partiu,
mas que por lá permaneceu
Entre a noite e o dia,
Ao meio.

Maria Lúcia de Almeida

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Sensações


Um certo livro
Um pouco de brisa
Uma garoa fina de verão
Borrifando de perfume o acaso.

- Deliciosas sensações de bem estar -

Naquela tarde,
Um olhar de esperança
Pairou sobre os sonhos
E tudo o mais só foi detalhe.

Maria Lúcia de Almeida




domingo, 14 de dezembro de 2014

Quase amor




Quando o frio encontra a noite
Em um azul - mais azul que de Van Gogh -
Entre estrelas cintilantes
Sou abrigo e travessia.
-  Sublime desvario -
Das lembranças que nos une
Sou esse silêncio
Repleto de versos e rimas.

Maria Lúcia de Almeida