quarta-feira, 21 de agosto de 2013

No traçado da memória



Assim como o trem segue seu curso conforme o traçado dos trilhos, o tempo também avança pelos trilhos da memória.
Nada se detém.
As paisagens passam, dissolvem-se, e ainda assim deixam vestígios, não como foram, mas como eco.
O tempo não guarda: transforma.
Recompõe o vivido em fragmentos.
E  é no que falta que o passado ganha forma.
A memória inventa permanências,
e a saudade as sustenta — delicada, insistente, inevitável.
Seguimos, como o trem, sem retorno.
Carregando não o que ficou, mas o que, ao partir, passou a nos habitar.

Maria Lucia de Almeida 

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Como Nuvens...




Vem do céu…
e me atravessa, mansa,
como lembrança que não sei de onde vem.
Chega assim,
feito criança,
sem peso,
sem pressa,
e pousa em mim.
Traz uma paz
que não se explica,
uma esperança
quase tímida, infinita,
mas quieta.
De tão simples,
me desarma.
De tão leve,
permanece.
Cai em flocos brancos,
e, dentro de mim,
ganha forma:
vira gesto,
vira rosto,
vira alguém que já fui,
ou que ainda sou.
E como a felicidade,
não se deixa segurar.
É breve.
É rara.
É quase ausência,
mas quando vem,
me toma por inteira. 

Maria Lucia de Almeida.

Distante



E você que surgiu dos sonhos
Da solidão
Da fantasia
Trazendo o conforto
De me sentir amada
Vai se apagando a cada dia
- mais e mais distante -
Na realidade
Na minha vida.



Maria Lúcia de Almeida

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Ao Clube da Esquina

Enorme vontade
De voltar por aqueles caminhos
Só de poesia e canção
Em cada esquina uma aventura
Vida simples, vida louca
Vida de pés no chão.

Tantos sonhos e tanto querer:

Zerar a conta da desesperança,
Liquidar com as injustiças sociais,
Levar a vida com leveza,
Sem jamais mudar de Opinião.

E curtir, curtir muito
Toda a beleza de um tempo
Um tempo que escapou com o vento
Levando nossas arestas.

Maria Lúcia de Almeida

sábado, 10 de agosto de 2013

Por um pouco de paz



E o que queria se assim não fosse
Sonhos perfeitos jamais existiram
Minhas escolhas superaram a tarefa
De um dia existir sem conflito.

Mas o que vejo são folhas mortas
Pensamentos vazios
Coração sem pulso.

- Por que mutilastes teus passos? -
- Por que não seguistes teus ritos? -
- E agora, o que fazes?

Dobro as esquinas
Atravesso os sinais
Atiro-me ao vento
E respiro.

Maria Lucia de Almeida

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Nas tardes, sempre.





Na rua 
Uma árvore
Transmutava suas cores.
Ao sol brilhávamos em tripla harmonia:
A árvore, eu e uma saudade.

Maria Lúcia de Almeida

segunda-feira, 27 de maio de 2013


"Entre velhas páginas
uma folha ainda verde
da casa antiga"
Alice Ruiz