Vem do céu…
e me atravessa, mansa,
como lembrança que não sei de onde vem.
Chega assim,
feito criança,
sem peso,
sem pressa,
e pousa em mim.
Traz uma paz
que não se explica,
uma esperança
quase tímida, infinita,
mas quieta.
De tão simples,
me desarma.
De tão leve,
permanece.
Cai em flocos brancos,
e, dentro de mim,
ganha forma:
vira gesto,
vira rosto,
vira alguém que já fui,
ou que ainda sou.
E como a felicidade,
não se deixa segurar.
É breve.
É rara.
É quase ausência,
mas quando vem,
me toma por inteira.
Maria Lucia de Almeida.

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