Assim como o trem segue seu curso conforme o traçado dos trilhos, o tempo também avança pelos trilhos da memória.
Nada se detém.
As paisagens passam, dissolvem-se, e ainda assim deixam vestígios, não como foram, mas como eco.
O tempo não guarda: transforma.
Recompõe o vivido em fragmentos.
E é no que falta que o passado ganha forma.
A memória inventa permanências,
e a saudade as sustenta — delicada, insistente, inevitável.
Seguimos, como o trem, sem retorno.
Carregando não o que ficou, mas o que, ao partir, passou a nos habitar.
Maria Lucia de Almeida

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